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POSTULADO LITERALISTA

Só a escrita nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. Não é que ao escrever expressemos algo. Construímos outra realidade com palavras. A história de toda a escrita até nossos dias é a histórias da luta de classificações. As mesmas histórias são contadas repetidas vezes, e quem as conta e as repete vai melhorando, polindo cada uma como um seixo que a água cultiva no fundo dos rios - um seixo rolado. Alguém canta, e seu canto vai rolando de um lado para o outro ao longo dos anos. O segredo da Verdade é o seguinte: não existem fatos, só existem histórias. A literatura não é um espelho do mundo, é algo mais, agregado ao mundo. “O propósito do mundo é um livro”. “O mundo não vale o mundo”. “A arte existe porque a vida não basta”.  A atitude de um homem diante do mundo deveria ser tão literária quanto possível. Todo homem de uma raça menos débil ri, certamente, de uma raça que caiu tão baixo que, para ela, ser literário é ter uma falha de caráter. Todos os grandes homens e...

MANIFESTO LITERALISTA

  MANIFESTO LITERALISTA Escrever é comprometer-se. A história de toda a escrita até nossos dias é a história da luta de classificações.  Os escritores que não repararem nisso são justamente os que não precisam se comprometer. Os literalistas recusam-se a dissimular as suas concepções e os seus propósitos. Proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser atingidos por meio da derrubada violenta de toda a ordem estética vigente. A radicalidade linguística da literatura é o que fundamenta nossa estética. A escrita não é um sistema, mas uma comunidade em que qualquer um deveria poder ingressar. É a escrita que nos une, socialmente, economicamente e filosoficamente. Só que, se todo o propósito do mundo for um livro, o livro não faz valer o mundo. A arte, se existe, é porque o mundo não basta. A escrita não expressa realidade alguma, mas sim a constrói.  O literalismo compreende a natureza social da produção da arte. Interrompendo o formalismo desinteressado e reintroduzin...